Projeto ProtagonizAqui e os migrantes protagonistas

Em maio, a Aventura de Construir iniciou o Projeto “ProtagonizAqui – Aprendendo a Empreender”, focado nos migrantes e refugiados venezuelanos e latino-americanos que vivem na cidade de São Paulo, em parceria com a Missão Paz, Casa Venezuelana e IAF (Inter – American Foundation).

O projeto, que atualmente conta com 79 participantes, sendo 85% venezuelanos e os demais de outras nacionalidades, tem o intuito de fornecer condições de formação e conhecimento prático na área do empreendedorismo e do mercado de trabalho. O objetivo é que os migrantes possam ser inseridos de maneira digna na sociedade brasileira, visando sua inclusão produtiva e emancipação, gerando o protagonismo desses indivíduos.

Em especial, no mês de junho, que se comemora a semana do migrante e o dia do refugiado, conversamos com três migrantes participantes do projeto sobre suas experiências de vida, projetos e expectativas dentro e fora do ProtagonizAqui. Além disso, entrevistamos o Padre Paolo Parise, coordenador da Missão Paz e diretor do Centro de Estudos Migratórios, sobre a importância do projeto e de datas como essa.

Para o Padre Paolo Parise, que atua na Missão Paz desde 2010 com o suporte básico para migrantes e refugiados, projetos como o ProtagonizAqui carregam uma importância muito grande, pois integram a ajuda das necessidades básicas de sobrevivência para esses indivíduos, uma delas, o trabalho. O projeto da Aventura de Construir auxilia a se deparar com formas e potenciais para encontrar um emprego, viabilizando-os a manterem uma renda. Ele ainda ressalta que as datas, por um lado, se tornam importantes quando possuem um processo de atuação e, por outro, servem de alerta para o conhecimento e movimentação da causa.

Movimento que para Jesús Aponte, um dos participantes venezuelanos do projeto, que veio para o Brasil na tentativa de aprimorar seus estudos em teologia e está aqui há dois anos, é importante para a imersão dos migrantes na cultura brasileira. Hoje, ele trabalha com hotelaria e turismo e comenta como essa experiência com o público aumentou o seu desejo, que além de trazer a mãe para morar no Brasil, é de abrir um negócio onde as pessoas possam vivenciar a experiência da cultura venezuelana. Ele acrescenta que “as pessoas que chegam de outros países, já chegam em desvantagem em relação aos nativos, pois muitas vezes não possuem documentação, não falam a língua e o projeto está ajudando que todos os participantes tenham um pouco menos de desvantagens na tentativa de alcançar seus sonhos”. 

Como Estefanía Sequera, venezuelana de 38 anos, participante do programa que já morou na Bolívia, no Peru e atualmente mora no Brasil, há um ano, com sua mãe e dois filhos. Ela já trabalhou como maquiadora e consultora de beleza, mas fala que sua grande paixão é pela cozinha e foi através dessa paixão que ela conheceu o projeto pela Missão Paz. Estefanía comenta que, de início, se inscreveu no projeto imaginando apenas que era um curso de culinária, já que o seu grande desejo é abrir um restaurante no Brasil e lançar um livro sobre a utilização da AirFryer, mas com o andamento, verificou que era mais do que isso e ressalta que o projeto ensina a ser um profissional completo, tanto para aqueles que querem empreender, quanto para aqueles que querem se inserir no mercado de trabalho, trazendo uma visão geral dos negócios e todas as etapas necessárias para iniciar um empreendimento, construindo uma base para seus sonhos.

Já Manuel Molina, peruano que está no Brasil há 3 anos e mais um participante do projeto, comenta que também veio para o Brasil na tentativa de aprimorar seus estudos. Formado em Engenharia no Peru, ele veio para o Brasil fazer um mestrado, mas a pandemia inviabilizou essa possibilidade e hoje ele atua como um “faz tudo”. Manuel comenta que sempre busca realizar capacitações para aperfeiçoar seus conhecimentos e conta que já viajou por muitos lugares, mas que dessa vez, viu no projeto uma grande oportunidade para aprender e começar a pensar em empreender, já que muitas pessoas, também, o orientaram a tratar da sua atividade de maneira formal.

O projeto tem a duração de um ano e meio e além de realizar as capacitações, também mantém o acompanhamento desses indivíduos promovendo todo o suporte necessário para que se tornem protagonistas de suas próprias vidas.

É uma forma simples mas concreta que a Aventura de Construir tem para se somar a construção de futuro da qual o Papa Francisco fala em sua mensagem para o Dia Mundial do Refugiado: “Construímo-lo hoje, porque o futuro começa hoje e a partir de cada um de nós”.


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Maria Marcelino