Missão Cumprida! Conclusão do Projeto Aventure-se

Hoje, dia 21 de julho, se encerra o projeto Aventure-se, iniciativa de promoção do empreendedorismo da periferia nas estações lilás e amarela do metrô de São Paulo. A ação consiste em cartazes espalhados desde abril por 25 estações do metrô, além de peças em vídeo divulgadas dentro dos vagões, com QR Codes e links que levam a uma plataforma online de ensino, com cursos voltados aos empreendedores. Tudo isso fruto de uma parceria da Aventura de Construir com o Instituto Camargo Corrêa, a ViaQuatro e a ViaMobilidade.

Neste período, publicamos uma entrevista com Marcelo Lucato e Percival Caropreso sobre a criação visual da campanha e também uma conversa com Bárbara Bueno e Diana Siqueira, Diretora Executiva do Instituto Camargo Corrêa e Coordenadora de Sustentabilidade da ViaQuatro e ViaMobilidade,  respectivamente.

Hoje, publicamos o relato de quem foi a cara da campanha. Os microempreendedores, acompanhados pela Aventura de Construir e presentes nos cartazes, foram fotografados por Diego de Carvalho, ele mesmo um dos retratados. Confira primeiro uma breve conversa com o fotógrafo sobre este projeto, e depois trechos dos outros empreendedores contando sobre sua participação.

O fotógrafo Diego de Carvalho começou a colaborar com a Aventura de Construir em 2019, durante a exposição “Identificam-se Protagonistas”, atuando como um microempreendedor que apoia outros microempreendedores. O projeto promoveu uma exposição de fotos, no metrô de São Paulo, exibindo diversos empreendedores atendidos pela AdC, com o objetivo de dar visibilidade a estes “protagonistas de suas comunidades”. Em 2021, ele volta a colaborar conosco no projeto Aventure-se.

AdC – Fale um pouco sobre você, Diego.

Diego de Carvalho – Sou Diego, eu atuo como fotógrafo e nasci na zona leste de São Paulo, na Mooca. Não tão periferia quanto Itaquera, por exemplo, mas é zona leste. E acho bem massa o trabalho que a Aventura de Construir faz, que acompanho desde 2019. 

Eu me sinto atuando muito no lugar onde nasci e fui criado. Ainda que não more mais na periferia, isso é muito importante para mim porque eu sentia falta de ajuda quando estava lá. Me mudei faz uns cinco ou seis anos, mas já atuava como fotógrafo, como videomaker e como criador de conteúdo, essa sempre foi a minha área de atuação. Não sou formado em cinema, ainda, mas esse é um sonho que quero realizar.

Então o mais massa da Aventura de Construir ter chegado até mim e ter rolado esse encontro foi isso: eu me sinto muito grato e muito honrado pelo fato de poder estar ajudando as pessoas que vem do lugar de onde eu vim. 

Talvez seja esta a maior satisfação fazer parte desse projeto. Acho que o lance de ter as minhas fotos por aí é importante também para o que eu faço, para onde eu quero chegar, mas o lance é poder colaborar e dar voz para a nossa galera.

AdC – Você já havia participado da exposição Identificam-se Protagonistas, em 2019. Como rolou o convite para participar do projeto Aventure-se agora? 

Diego – Eu conheci a Silvia [Caironi, Coordenadora-geral da Aventura de Construir] em 2019 e desde então a gente nunca parou de se falar. A gente troca mensagens e se vê às vezes. Então ela apresentou o projeto Aventure-se para mim e eu achei massa. 

E o fato de eu estar em uma das fotos, com os empreendedores, têm tudo a ver. Com a pandemia eu comecei a sentir a necessidade de continuar a trabalhar, já que não estava tão simples o relacionamento com os clientes na questão de externa, de estar em campo. Por isso eu bolei um esquema de fazer um estúdio em casa, diminuindo o fluxo de pessoas e com os cuidados sanitários necessários, para assim movimentar um outro lado profissional.

Voltando a pergunta, a Silvia me ligou, muito animada, me contou sobre o projeto, a gente bateu um papo bem massa e eu senti a identificação. Como eu disse para ti, tudo que a Aventura faz tem muito a ver com a questão social, então eu nem tive muito o que pensar. Costumo abraçar as ideias de vocês, porque confio muito, sei que o que vocês estão fazendo é bom e acredito nisso. Na hora que conheci os personagens, como o David, o Arthur e a Alcione, a gente vai vendo o trabalho dando certo e que as pessoas vão seguir no caminho da evolução. Isso é muito massa.

AdC – Como foi o processo de fotografar os empreendedores? Quais os desafios de representar essas pessoas e seus negócios através das lentes? 

Diego – Eu já fotografei um monte de coisa, estou a bastante tempo fazendo isso, mas esse lance é desafiador. Sempre que a gente chega no lugar não sabemos o que vamos encontrar lá. Sei que vou fotografar um marceneiro, por exemplo, mas mesmo assim não sabemos qual é a condição de luz, a composição, se o local é uma bagunça ou não. Enfim, acontece de tudo.

Foi algo parecido com o que aconteceu no Identificam-se Protagonistas, mas as pessoas eram novas e as fotos precisavam ser menos artísticas e ter mais uma narrativa publicitária. Tudo isso foi desafiador e, como sempre digo para mim mesmo em relação ao meu trabalho, poderia ter ficado melhor, mas ficou ótimo!

AdC – Como foi a experiência de ter suas fotos expostas novamente no metrô? E como foi ter o seu próprio rosto em um dos cartazes?

Diego – Algumas pessoas viram e me reconheceram, mas aí eu sempre falava: “meu, acessa o QR Code, dá uma olhada nos cursos. Você que trabalha com isso, com aquilo, tem tudo a ver sabe”. Eu entendo que talvez tenha que ter um rosto lá, para a pessoa olhar e perceber que tem uma mensagem a ser passada, mas como falei, eu fiquei mais feliz quando as pessoas acessaram o link e encaminharam para outras. Isso é mais massa do que estar com o rosto exposto lá.

Eu sou um pouco tímido. Encontrei um cartaz meu na estação Morumbi, parei para tirar uma foto e fiquei com vergonha. Estava sozinho, então pedi para um cara tirar a foto e ficou toda displicente (risos).

E respondendo à sua pergunta, foi muito satisfatório mesmo participar do projeto. Tudo que a Aventura faz, independentemente de ser com o metrô ou não, eu acho que é sempre algo bom. Eu falo para a Sílvia sempre que, o que eu puder ajudar nessa questão, sabendo que o audiovisual é importante para mostrar essas histórias, contem comigo.

AdC – Que tipo de projetos você gostaria de participar no futuro?

Diego – Dar aula de fotografia para crianças, ou alguma oficina, eu acho massa. Sempre quis viabilizar isso de alguma forma, mas não tenho os caminhos claros ainda. Uma espécie de oficina itinerante para as comunidades, em algumas áreas. Eu falo isso porque quando eu vou nesses lugares a molecada pilha, falam “tio, tira uma foto minha” ou “deixa eu tirar uma foto”, então se percebe que eles têm uma sensibilidade aflorada incrível.

AdC – Gostaria de acrescentar algo?

Diego – É isso, foi muito gratificante participar. Eu acho que é possível sim a gente da periferia conquistar muitas coisas, mas existe um desincentivo absurdo do Estado. Então temos que ajudar mesmo. É o povo que vai conseguir fazer esse levante, e isso que a gente faz já é muita coisa.

David dos Santos – de nome artístico David Maderit – é um rapper criado na Brasilândia, periferia da zona norte de São Paulo. Possui um estúdio de música chamado Beat Orgânico, um empreendimento de impacto social que estimula os jovens da comunidade a buscarem uma vida mais digna e cientes da sua cidadania.

AdC – Qual foi a importância de estar nesses cartazes, e o que isso trouxe para você?

David – Participar da campanha trouxe uma visibilidade pro negócio que não seria possível sem a ajuda da Aventura de Construir. A sensação de  reconhecimento é um passo a mais na jornada de transformar o Beat Orgânico Áudio Soluções em um empreendimento sólido, próspero e duradouro, com  a missão de ajudar os artistas e trazer novas oportunidades para a periferia.

Alcione Dias trabalha com a venda de roupas no Morro Doce, na periferia de São Paulo. Acompanhada pela AdC desde 2019, já participou de diversos projetos e fez parte da exposição Identificam-se Protagonistas, um registro fotográfico de diversos microempreendedores.

Alcione – Para mim, foi muito gratificante ver a minha foto nas maiores estações de metrô de São Paulo. Muitas pessoas viram, comentaram comigo “te vi em tal estação”, fiquei chique! Com isso, veio mais visibilidade no meu Instagram, novas oportunidades e crescimento profissional também. Posso afirmar que foi uma ótima ação de marketing, com custo zero. 

Através do projeto da Aventura de Construir tenho a cada dia mais e mais pensado como empreendedora, e a empreender na prática, né? Eu sou grata mesmo a todos da AdC que puderam ajudar nessa jornada, que também envolve os cursos, nos quais aprendemos muito. Está sendo muito gratificante e tenho um grande aprendizado com isso. Só tenho a agradecer a todos da Aventura de Construir e todos que colaboraram para isso acontecer. Gratidão!

Para publicar os livros produzidos por seu filho Arthur, um adolescente com autismo, Adriana Barros fundou a ABarros Editora. Com seu negócio social, se tornou possível dividir informações com famílias que, assim como ela, convivem com a condição em seu dia a dia.

Adriana –  Estar em cartazes no metrô da minha cidade, no metrô de São Paulo, foi sensacional, porque transmitiu um sentimento que eu tenho em mim, e que sinto estando com a Aventura de Construir, que é andar. A AdC não me deixa parada como empreendedora, e tem tudo a ver, porque o metrô tem a ver com mobilidade, com as pessoas andando de lá pra cá. Acho que esse foi o significado, expressa essa mobilidade, esse movimento que eu consigo alcançar com assessorias, mentorias e tudo mais. 

Além disso, é uma alegria poder incentivar pessoas que sonham em empreender, em ter os seus negócios. Tendo ali a foto da ABarros Editora, do Arthur, e contando um pouquinho sobre a gente, pode inspirar e incentivar as pessoas a fazer isso também, a saírem da zona de conforto e se tornarem empreendedores. Essa é a importância.

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