ESG: Como a implementação de práticas sustentáveis contribuem com a manutenção dos negócios?

Continuando com a publicação de textos de alunos da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, a FECAP, o Blog AdC de hoje traz o texto de Ramon Maciel, sobre ESG (sigla referente à melhores práticas ambientais, sociais e de governança de um negócio).

A parceria da Aventura de Construir com a instituição tem como objetivo conectar estudantes do primeiro semestre de Administração com pautas do empreendedorismo social. A entrevista que realizamos sobre o projeto pode ser acessada neste link.

Confira abaixo o texto desta semana!

Um conceito cada vez mais comentado no universo organizacional é o ESG (Environmental, Social e Governance) que visa à implementação de melhores práticas ambientais, sociais e de governança corporativa, representando um direcionamento na atuação sustentável de uma empresa, de forma a impactar a sociedade como um todo.

Em princípio, os pilares sustentáveis, ou triple bottom line, foram os primeiros indicadores de desempenho em relação às práticas de impacto nas empresas. O modelo observa o equilíbrio entre as esferas ambientais, sociais e econômicas frente ao resultado da operação, auxiliando na análise de iniciativas e promovendo um comprometimento com uma atuação responsável.

https://revistaconstrua.com.br/noticias/engenharia/eficiencia-energetica-a-busca-por-equilibrar-o-consumo-de-energias/

Dessa forma, os pilares sustentáveis propõem, em um primeiro momento, um modelo socialmente justo, ambientalmente responsável e financeiramente viável de atividade para as empresas. A partir dessa concepção, o ESG vem como resultado direto da atualização desse primeiro conceito, no qual expande-se a complexibilidade de ideias acerca do tema face ao debate de gestão sustentável e potenciais de longevidade dos negócios por meio da criação de valor.

As dimensões ESG são indissociáveis, visto que o conjunto tem como objetivo prático transformar e proteger o meio ambiente, a sociedade e os próprios negócios, por meio de estratégias de longo prazo que eliminem ou mitiguem o impacto negativo das empresas no ecossistema em que elas estão inseridas. Com isso, o foco concentra-se na durabilidade e sobrevivência dos negócios e dos mercados frente às transformações tecnológicas, novos contextos sociais, incertezas, riscos e desafios de crescimento.

Na contemporaneidade, as empresas não existem com o exclusivo propósito de gerar retorno financeiro para a operação e sócios, mas devem contemplar toda a esfera de “partes interessadas do negócio” dentro da esfera ESG, conhecida como stakeholders, dessa maneira as iniciativas visam criar valor ao seu ecossistema, de forma a apoiar todos os agentes participantes da cadeia.

https://www.tramaweb.com.br/solucoes/relacionamento-com-stakeholders/

Desse modo, cada uma das letras simboliza um critério de impacto relevante para cada pessoa vinculada, diretamente ou indiretamente, a entidade, sendo elas:

AMBIENTAL

A esfera ambiental apresenta iniciativas dedicadas às atividades organizacionais em relação ao meio ambiente no longo prazo, assim situando o negócio em seu espaço de atuação e evidenciando seus impactos na natureza. Para exemplificar, podemos citar como iniciativas de combate a ameaças ambientais:

  • Estar em concordância com a legislação e regulamentações ambientais;
  • Garantir a possibilidade de reciclagem dos produtos fabricados;
  • Estudar se a fabricação de produtos é eficiente frente ao menor consumo de matéria-prima;
  • Estar consumindo energia e água de forma consciente etc.

SOCIAL

A esfera social foca nas relações interpessoais de uma organização no longo prazo, sejam elas com clientes, colaboradores, fornecedores, investidores, comunidade e a sociedade em que está inserida. Para exemplificar, podemos citar como iniciativas de cunho social:

  • Treinar funcionários;
  • Garantir entregas de qualidade aos clientes;
  • Estabelecer uma linha de comunicação com os fornecedores;
  • Incluir políticas de diversidade e inclusão no quadro de funcionários etc.

GOVERNANÇA

A esfera de governança corporativa trata de temas gerenciais dentro da entidade, em que são evidenciados a transparência, a ética e a responsabilidade como base para o engajamento no longo prazo. Para exemplificar, podemos citar como iniciativas gerenciais:

  • Criar medidas preventivas a fraudes e corrupção;
  • Garantir os direitos humanos e trabalhistas;
  • Estabelecer um código de ética e conduta;
  • Construir um organograma e organizar a comunicação interna etc.

O movimento acerca do debate do valor agregado com a execução de iniciativas ESG não é uma obrigação legal, contudo não deixa de ser uma pauta de extrema importância no momento atual, visto que uma melhor gestão e implementação de iniciativas proporciona um caminho de impacto positivo e gera valor que transcende as portas da organização, contribuindo com o crescimento e desenvolvimento do negócio, ofertando mais oportunidade à comunidade e garantindo recursos básicos para a sobrevivência das próximas gerações.

Em virtude da amplitude do espectro ESG e as diferentes iniciativas para começar a implementar diferentes temas em uma organização, é importante ressaltar que o investimento do negócio é pautado pelo valor que ele oferece ao mercado por meio de sua atuação, visto que o perfil dos investidores tem um olhar cada vez mais voltado ao consumo consciente e a fidelização a empresas transparentes e que têm impacto positivo na sociedade.

Com isso, o comprometimento a melhores práticas deve despertar uma mudança de mentalidade dentre as figuras de liderança, a partir do entendimento do cenário e guiado pelo propósito da empresa, a fim de buscar sucesso em suas iniciativas frente a aberturas de novos mercados, produtos e serviços, stakeholders e investimentos.

Por fim, para que as esferas ESG prosperem na organização, as três letras precisam estar em pé de igualdade na estratégia corporativa, assim não sendo desassociadas, mas sim evidenciadas como agentes de transformação com foco em ampliar seu impacto na sociedade e gerar valor para todos os envolvidos.

Por Ramon Maciel

Ramon da Silva Maciel, 19 anos, é graduando de ciências econômicas na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e value creation intern na Mondoré.

Interessado por economia, política, sustentabilidade e impacto social. Engajado na luta por direitos LGBTQIA+ e iniciativas de atuação responsável, acredita que é possível impactar a sociedade de forma positiva, por meio da mobilização e engajamento dos cidadãos.

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