Do encontro nasce o novo (2ª parte)

A Jornada de Sustentabilidade de agosto traz a 2ª parte de como foi a experiência das visitas presenciais realizadas pela equipe da AdC. Os projetos visitados da vez foram: Lamberti Transforma II, realizado em parceria com a empresa Lamberti e o Vi a Mão Empoderada de Mulheres Empreendedoras, realizado em parceria com o Ministério da Economia.

Confira abaixo!

No mês passado foi prometida uma continuidade sobre a experiência que a equipe da AdC teve ao visitar empreendedores dos projetos ativos e já que estamos no mês de agosto, aqui vamos nós! 

A jornada de Sustentabilidade de agosto continua a explorar a potência das visitas presenciais e seus desdobramentos. As visitas aos empreendedores tratam de dois projetos: o Lamberti Transforma II e o Vi a Mão de Mulheres Empoderadas.

O Lamberti Transforma II:

Foram realizadas duas visitas aos empreendedores do projeto Lamberti Transforma II. O projeto é feito em parceria com a indústria química italiana Lamberti, com sede na cidade de Nova Odessa/ SP. Para saber mais, clique aqui! Desde o início do projeto, já se somaram três visitas na região, sendo a primeira realizada no dia 22 de março deste ano.

Nesta Jornada de Sustentabilidade, será compartilhada a experiência que a equipe da AdC obteve durante o mês de julho, tendo visitado a região no dia 11 de julho e depois retornando nos dias 26 e 27 do mesmo mês.

Um momento presencial depois de três meses online:

No dia 11 de julho, a primeira atividade ocorreu no período da manhã: uma roda de conversa com 8 empreendedores no espaço de convivência da Lamberti. O momento foi fundamental para a troca de experiências sobre o que significa para cada um fazer parte de um projeto como este. Levando também em consideração, o estágio atual: com ciclo de capacitações finalizadas e início da etapa de assessorias individuais. 

Roda de conversa na Lamberti

A roda foi orientada pelas seguintes perguntas:

  1. O que significa para vocês estarem aqui neste momento?” 
  2. Se tivéssemos que tirar uma foto antes e depois do início do projeto, como seria essa foto? 
  3. “E se tirasse uma nova foto no futuro, o que você gostaria de ver?

Alguns compartilharam das mesmas impressões iniciais, como por exemplo, que achavam que não se adaptariam às aulas online. Porém, disseram que se surpreenderam com as atividades dinâmicas, trocas de experiência, e principalmente com a espontaneidade… 

Outros comentaram ter receio em entrar em um curso com temas tão específicos sobre empreendedorismo, afinal, achavam que sabiam muito pouco e se sentiriam envergonhados. Mas, a cada encontro, puderam perceber que o método de aula sempre partia da realidade e valorizava a bagagem de cada um. Afinal, só assim é possível um aprendizado profundo que se transforma em prática.

Partilharam também sobre o valor de acompanhar as atividades propostas ativamente e como esta prática os tem ajudado a identificar concretamente suas necessidades e aspirações futuras –  um passo a mais rumo aos seus objetivos. 

A realidade surpreende, principalmente para quem se permite se deixar surpreender – como é o caso destes empreendedores.

Empreendedores compartilhando experiências

Outro ponto muito positivo do encontro coletivo foi a capacidade de interação entre os empreendedores, sendo que a equipe da AdC apenas mediava esse bate-bola quando fosse necessário. Faziam perguntas entre si e promoviam sugestões uns aos outros. Uma experiência muito rica para quem só esteve em contato online por quase 4 meses.

Equipe AdC e participantes do encontro na Lamberti

Após a conversa coletiva da manhã, a equipe da AdC foi visitar quatro negócios. Para além de conhecê-los pessoalmente, esses momentos foram importantes para o fortalecimento de vínculo –  foi possível verificar de perto a rotina de cada um, a forma como se organizam… elementos que ajudam a entender mais sobre a realidade destas pessoas.

Aprofundando o necessário:

Os dias 26 e 27 de julho foram dedicados a realizar assessorias junto a nove empreendedores para aprofundar temas que só podem ser percebidos por meio dos detalhes.

Foram dois dias intensos! Um convite para os empreendedores saírem de sua rotina (e muitas vezes de uma possível zona de conforto) e se enxergarem de fora, usando o tempo para uma reflexão sobre como a vida do negócio tem sido realizada.

Provocados com questões do tipo “onde você quer chegar?”, “você sabe definir quais as suas prioridades?”, “qual o seu diferencial?” ou ainda “porque você trabalha com isso?”, os empreendedores tiveram que ponderar para saber quais seriam suas respostas. 

O convite para a reflexão, portanto, foi aceito com excelência. Muitos arregalaram os olhos diante das perguntas, mas não de espanto, e sim porque muitas vezes, a rotina das atividades operacionais sufocam o olhar analítico. Por isso a importância em se olhar de fora – de forma subjetiva e objetiva, sair, olhar o empreendimento do outro lado da rua!

O ponto de partida dos temas abordados, como planejamento e finanças, veio de atividades já realizadas no online, mas aproveitando a potência do olharmos nos olhos. 

A equipe AdC pode perceber que, para muitos, fez sentido incluir dentre as suas atividades, o hábito de realizar e acompanhar um planejamento detalhado, com prioridades, metas e prazos, assim como deixar de fazer as coisas de forma mecânica. Intuíram também quão essencial é se lançar, julgar e analisar as próprias ações: estou demorando para fazer, de fato, o tempo que falei que iria demorar? Estou conseguindo fazer todas as atividades que me programei? 

Por isso a importância confirmada por muitos em dedicar um tempo na semana para refletirem sobre estes aspectos e outros essenciais do seu negócio – e de forma sistemática, com  anotações de informações e próximos passos. 

A partir disso, dessa sistematização, poderão saber se estão fazendo as coisas certas, se estão errando ou não, e se estão tendo os melhores resultados.

Esses dois dias também foram um convite a AdC a se “chacoalhar”, afinal, o aprofundamento em casos particulares permite, posteriormente, uma análise geral. Mesmo que esta análise seja repleta de perguntas … Foi possível dedicar a atenção sobre os próximos passos do projeto e da trajetória que cada empreendedor visitado vai ter de agora em diante.

Foi possível para a equipe começar a pensar sobre o futuro e no modo que o projeto irá se desenvolver no território em 2023, a partir da intervenção da AdC, porém, sobretudo, a partir da atuação daqueles que serão multiplicadores.

Foram realmente dois dias de muita reflexão!

O Vi a Mão Empoderada de Mulheres Empreendedoras:

Saímos do estado de São Paulo, e vamos diretamente para o Rio Grande do Sul. Este projeto ocorre na cidade de Viamão/RS e tem como objetivo central realizar capacitação empreendedora e assessoramento direcionado às mulheres em situação socioeconômica vulnerável.  

É financiado pelo Ministério da Economia tem como objetivo o florescimento integral das potencialidades empreendedoras da pessoa e da sustentabilidade do negócio. 

As atividades ocorrem  de forma híbrida, com momentos presenciais e à distância, alternando momentos coletivos e individuais na formação das microempreendedoras. Para saber um pouco mais sobre, basta clicar aqui

Sobre o momento atual:

A equipe AdC iniciou no mês de agosto o período de assessorias coletivas presenciais sobre redes de cooperação para o desenvolvimento local.

O trabalho foi intenso: desde idealizar a dinâmica das assessorias, pensar os grupos e claro, o  tão esperado agendamento com muitos pedidos de “tem como mudar de horário?”. 

Não foi fácil, mas valeu a pena! Para a equipe é  uma alegria encontrar estas pessoas e perceber cada vez mais o comprometimento com as atividades.

Nas primeiras sessões já foi possível verificar a empolgação das participantes: era um momento muito rico para o grupo, por poder contar com esta troca de olhares e tornar real as pessoas com quem conviveram no modelo on-line ao longo desses 6 meses.

Por meio destes contatos, todas  as experiências, incertezas e dores quanto ao caminho que seus negócios estão seguindo tomaram forma através de gestos e expressões. Essas mulheres que trazem a bagagem de serem mães, filhas, esposas, companheiras, trabalhadoras são também empreendedoras.

O trabalho realizado com este grupo de mulheres vai além do esperado, é um trabalho guiado com profundidade, com um “porque” e um sentido do que as move no empreendedorismo.

O que sai deste presente?

A partir desses encontros presenciais, algumas novidades se mostram aparentes e conexões passam a ser construídas, fortalecendo o laço entre àquelas que participam do projeto. É o exemplo das seguintes empreendedoras:

Patrícia Elisiane é um exemplo de resiliência, como empreendedora e dona da marca Mimos da Pathy, tem firme na sua fala a persistência em ter seus produtos reconhecidos e vendidos além das fronteiras de Viamão. A confecção de pantufas e chinelos personalizados expande sua criatividade e já faz Patrícia fortalecer outras empreendedoras, através de parcerias para agregar outros itens aos seus kits e essa visão veio das capacitações sobre marketing e redes colaborativas. As dificuldades de vendas baixas em algumas feiras, trás para esta empreendedora outros horizontes, é a oportunidade de conhecer pessoas e experiências de negócios que a fortalecem e a fazem persistir.

Patrícia atenta ao encontro

Niltamara de Abreu proprietária do Espaço de Arte Viandantes no centro de Viamão entrou no projeto para abraçar a diversidade do grupo. Podemos dizer no bom popular que as portas abertas por ela, disponibilizando seu espaço para que os negócios tenham outra fonte de visibilidade  foi a “cereja do bolo”. Nesta via de mão dupla que trata os negócios dentro de uma rede onde as mulheres se apoiam e fortalecem umas às outras, Niltamara se enxergou como empreendedora, pois até então seguia como uma multiplicadora de cultura dentro da cidade de Viamão, sendo seu espaço um local  de pesquisa, ensaios, oficinas, apresentações e não um empreendimento.

Niltamara que nas horas vagas se dedica a alguns artesanatos, entre eles sacolas de tecido de sombrinha para colchonete de yoga

Jussara Conceição e Renata Conceição são, além de mãe e filha, donas da marca Mimos da Animata. A parceria entre essas duas gerações trás vários pensamentos que agregam na variedade dos seus produtos e diversidade da marca que se identifica com causas que devem ser representadas, exemplo os temas dos povos africanos. A etapa de marketing trouxe várias reflexões de como essas duas empreendedoras querem que a marca seja reconhecida e ações de como levar a marca para a vitrine das redes sociais. Jussara tem uma forte fala sobre vivências em grupo, e agrega a este universo de mulheres empreendedoras o pé no chão, a necessidade de estarem organizadas e olharem cada vez mais uma para outra, deixando a coletividade em evidência.

Renata e Jussara no momento de trocas

Reconhecemos neste grupo a concretização dos conteúdos que aplicamos nas capacitações, o que ressalta um dos itens do nosso método de trabalho: gerar protagonismo acreditando na centralidade da pessoa. Sobre os negócios, as empreendedoras identificam agora a importância da educação financeira, a visibilidade através do marketing social e redes sociais e a participação efetiva de uma rede de cooperação.

E para onde estamos indo em Viamão?

A criação da rede colaborativa está saindo do sonho durante as assessorias coletivas presenciais. Essas mulheres empreendedoras não querem continuar esta jornada sozinhas, elas anseiam seguir de mãos dadas e ter um espaço e momento para se fortalecerem de forma pessoal e profissional.

Mas, para o sonho se tornar cada vez mais real, é preciso sempre levar ao concreto, perceber como a realidade se mostra e se lançar em profundidade – e foi, o que de fato, equipe AdC e participantes do projeto, fizeram – principalmente durante o momento presencial de assessorias coletivas durante todo mês de agosto.

Nestes dias, também se trabalhou no fortalecimento de quatro conceitos: 

  1. Planejar
  2. Desenvolver
  3. Monitorar
  4. Aprimorar

Estes conceitos são fundamentais para tornar esta rede cada vez mais concreta e viva,tanto na parte teórica quanto operacional. Mas, vale lembrar que para dar vida aos conceitos, é preciso colocá-los em prática, os tornando cada vez mais presentes no dia a dia.

Como muitas participantes compartilharam, a construção desta rede deve partir do que podem oferecer, e  também do que buscam. E para responder estas reflexões, é preciso um tempo para se conhecer e conhecer as pessoas, exercitar a escuta ativa.

Depois, identificar quais são os nexos existentes dentro desta rede, e aí começar a pensar como planejar, desenvolver, monitorar e aprimorar.

Dentre muitos temas que saíram nas assessorias, falou-se também da importância em não ter a pretensão de construir algo exclusivo, afinal, a oportunidade que uma pessoa enxerga oferecendo pra alguém fora da rede, pode ser útil também para a rede.

E atenção: monitorar não é uma cobrança! É acompanhar. Uma belíssima oportunidade de analisar os processos e aprender com eles.

Equipe AdC e participantes do encontro

Em setembro realizaremos as assessorias individuais para identificar o ponto de cada negócio após os 7 meses de projeto, já nos preparando para a finalização.

O final de uma breve reflexão

Os encontros com os empreendedores de modo presencial contribui muito para o trabalho online. Embora seja verdade que nem sempre é possível estar junto na casa de cada um, as visitas enriquecem a relação entre a equipe da AdC e seus beneficiários.  

Conhecê-los e sentir o calor humano, ser convidado para almoçar, tomar café e comer uns petisco muda como um coordenador de projeto se sente. É fácil saber das dificuldades que ronda a vida dos empreendedores periféricos, mas conhecer a realidade de perto, poder tocar e ver o trabalho sendo feito, é sem igual. Um aprendizado que transborda o meio de trabalho da AdC, e segue na vida de seus colaboradores. 

A AdC deixa  registrado mais uma vez uma gratidão imensa por todos empreendedores, que nos recebem sempre de portas abertas, mas também com o coração e mente abertos – deixando que conheçam cada vez mais suas realidades. 

Maria Marcelino