Da teoria à prática: as transformações de Raquel e Lindiane

A jornada de Sustentabilidade do mês de outubro compartilha a história da empreendedora Raquel Santos e sua sócia Lindiane Santos.

Raquel é da cidade de Candeias, na Bahia e por uma grata surpresa veio de encontro ao projeto Lamberti Transforma (única participante de outro estado) em decorrência de uma indicação de profissional que ministra cursos de auditoria e também presta serviços para a Lamberti.

A empreendedora é formada em Gestão da Qualidade e junto com sua sócia Lindiane (Administradora) partilharam o desejo de abrir a Hayal Consultoria” , a princípio, para pequenos empreendedores da cidade de Candeias.

O projeto contou com as seguintes atividades:  1. Tutoriais sobre temas do universo do empreendedorismo, introduzindo aspectos tecnológicos, 2. Assessorias para ideação de soluções e 3. Assessorias para prototipação.

As duas primeiras etapas foram fundamentais para aproximar Raquel do universo prático empreendedor por meio do relato das experiências concretas com desafios e aprendizados dos outros participantes, que já apresentavam um negócio.

Primeira assessoria de Raquel e Lindiane dentro do projeto “Lamberti Transforma”

A etapa de prototipação apresentou como objetivo a realização de um plano de negócio simplificado. A empreendedora não teve problemas na redação,  porém, a equipe AdC verificou que o trabalho era muito teórico e que ainda desconsiderava muitos aspectos práticos.

O foco, portanto, foi trabalhar primeiramente com o planejamento de execução do empreendimento a partir das perguntas:  1. Quando você pretende abrir seu empreendimento? 2. O que vocês precisam para isso?

Muitas vezes as respostas eram genéricas e não levavam em conta uma definição de prioridades (elas diziam que precisavam abrir um MEI, fazer cursos mesmo sem definir o público alvo, etc).

Para aprofundar sobre o perfil dos clientes em potencial, as empreendedoras buscaram referências confiáveis para embasar suas decisões:

Segundo dados da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz-BA) o número de microempreendedores individuais têm crescido na Bahia em 2021. São 126.737 em maio de 2021, contra 103.628 em janeiro de 2020. O número de microempreendedores individuais cresceu mais de 22% na capital baiana (Bahiaeconomica.com.br, 2021).

Diante do cenário exposto, comprovaram ainda mais suas impressões sobre a existência de mercado para os serviços, afinal, muitos empreendedores que abrem seus negócios necessitam de orientações básicas para o seu desenvolvimento e aperfeiçoamento do negócio.

As respostas genéricas foram se tornando mais específicas. O objetivo era aprofundar e sempre partindo da realidade das empreendedoras.

As empreendedoras Raquel e Lindiane

As metas aos poucos se tornaram mais tangíveis, por exemplo, elas foram orientadas a realizar um levantamento da estrutura que o empreendimento deveria ter ao se iniciar e os custos a serem arcados para tal.

A partir da análise de mercado, Raquel já havia identificado que seu serviço era algo novo na cidade, mas ainda faltava um recorte. Então realizaram mais um estudo.

Segundo o SEBRAE (2020) na Bahia, 82% das mulheres empreendedoras ganham até um salário mínimo, sendo que 57% são chefes de domicílio. Ainda de acordo com a pesquisa, 82% das mulheres empreendedoras da Bahia se autodeclaram negras.

 E aos poucos foi descobrindo que o público que necessitava muito deste tipo de serviço era composto por mulheres negras e periféricas, assim como Raquel e Lindiane. Abaixo segue trecho escrito pelas meninas durante a etapa de estudo incluindo suas referências:

As mulheres baianas mesmo sendo donas do seu próprio negócio ainda possuem uma renda muito baixa, mostrando a grande desigualdade entre as mulheres e os homens no quesito empreendedorismo. Coma aponta o SEBRAE (2020) “o cenário de desigualdade é agravado quando se percebe que as mulheres acabam tendo maior dedicação às tarefas domésticas, como os cuidados com crianças e idosos, o que é um obstáculo a mais à atividade empreendedora nesse período”.

A parte do público estava bem com estudo, referência e recorte. Mas ainda era necessário pensar em um tema fundamental para a implementação: e os custos? e a sustentabilidade financeira?

A partir da pergunta da AdC sobre custos para a implementação do negócio, as empreendedoras refletiram sobre seus objetivos e pensaram em 3 cenários

    1. Trabalhar com palestras;
    2. Empréstimo em bancos;
    3. Criação de um projeto social por plataformas de financiamento coletivo.

As meninas decidiram pelo ponto 3, escreveram o projeto “Apoie as afroempreendedoras”, voltado para capacitar e orientar empreendedoras negras da cidade de Candeias por meio de palestras, workshops e consultorias.

A escrita, desta vez, não foi tão fácil. As meninas fizeram várias versões até ficarem satisfeitas. Compartilharam com pessoas próximas para escutar as críticas e entender possíveis lacunas.

Trecho da versão final do projeto “Apoie as afroempreendedores”

Para arcar com os custos, decidiram utilizar a plataforma de financiamento coletivo Benfeitoria (que a mesma AdC apresentou para elas) para alcançar  o capital semente de R $21.612,00 como investimento inicial.

Estrategicamente, o projeto foi ao ar no final de outubro e se estende até dezembro de 2021 (60 dias).

O trabalho de Raquel e Lindiane une aspectos teóricos e práticos e o  projeto “Apoie as afroempreendedoras” é apenas o começo desta jornada, que deve durar 6 meses inicialmente.

Neste período, o objetivo é conhecer as necessidades do público, criar uma rede forte de networking e ganhar credibilidade como empreendedoras. 

Assim, no futuro poderão garantir uma sustentabilidade para o empreendimento com  clientes dispostos a pagar por seus serviços e novas formas de financiamento para outros projetos sociais.

Para conferir o projeto “Apoie as afroempreendedoras” na íntegra, basta clicar aqui! Você pode ajudá-las fazendo uma doação ou mesmo divulgando essa iniciativa. Vamos juntos, pois juntos vamos mais longe!

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