Da Ideia à Execução – Projeto Aluthaico parte 2

Hoje, o Blog AdC continua o tema da semana passada, quando entrevistamos Franklin Menezes, da Aventura de Construir e a voluntária Raquel Santos sobre o Projeto Aluthaico. Realizado entre junho e novembro de 2022, o projeto acompanhou e auxiliou o empreendedor Julio Petrucci na criação de um plano de negócios para o seu empreendimento, a Aluthaico, que atuará na área de serralherias para construção de caixilhos para edifícios residenciais.

Para falar sobre como surgiu a ideia do empreendimento e contar mais sobre o projeto, nesta semana conversamos com o próprio Julio. Confira abaixo!

Aventura de Construir: Julio, fale um pouco sobre você e sobre a área em que você atua.

Meu nome é Julio Petrucci, sou formado em Engenharia Mecânica apesar de trabalhar em uma área muito mais ligada à construção civil, do que a mecânica propriamente dito. Mas em algum momento as duas disciplinas conversam, então eu tô bem no meio dessa interligação. Isso se dá em função do segmento que eu acabei começando a minha vida profissional, e que estou até hoje, que é a área de fabricação e instalação de esquadrias de alumínio. 

Basicamente são essas janelas de alumínio que formam as fachadas dos edifícios, tanto residenciais quanto comerciais e corporativos. Na Engenharia Civil ou na Arquitetura nós conhecemos popularmente como esquadrias de alumínio ou caixilhos. É uma área que tem diversos detalhes, existem normas que regulamentam todo esse universo, então requer muito estudo. É preciso ter estanqueidade à água, resistência à ação do vento, uma preparação em relação à acústica e até em questões térmicas. 

A gente viu recentemente que fortes ventos em Balneário Camboriú, Santa Catarina, provocaram estragos em janelas de alguns edifícios que não resistiram à pressão do vento. Para evitar isso, a esquadria tem que ser projetada em função da região em que ela vai ser aplicada, levando em conta a altura do prédio etc. Esse estudo que define as condições de instalação e montagem do produto. É um negócio bastante complexo.

AdC: Como você começou na área e como surgiu a ideia de criar uma empresa para a produção das esquadrias?

Eu comecei com 14 anos em uma empresa que produzia essas esquadrias, na década de 80. Trabalhei lá cerca de 17 anos, saí engenheiro formado e aprendi muita coisa lá. Fui trabalhar numa construtora, que fazia edifícios corporativos, como um especialista em esquadria, onde trabalhei por 10 anos. Então eu saí para ser sócio de uma empresa de consultoria na mesma área. Ela foi fundada pelo meu irmão, que também seguiu na mesma trajetória profissional.

A partir de 2010 nós trabalhamos juntos nesta empresa de consultoria. E o que faz uma empresa deste tipo? Quando uma construtora vai fazer um contrato de uma fachada-cortina para um edifício corporativo, ou as esquadrias para edifícios residenciais, ela precisa das especificações dessas esquadrias, a especificação do vidro, os sistemas construtivos que vão atender aquele projeto, tanto arquitetonicamente quanto em relação às normas. Então essa empresa de consultoria define essas especificações, estuda o vento, as questões térmicas, tem o cálculo estrutural. A partir daí a construtora, com esse projeto na mão, vai ao mercado para contratar uma empresa para fabricar as esquadrias. O papel da consultoria é no desenvolvimento do projeto, na fabricação e na instalação das esquadrias.

Eu fiquei trabalhando nessa empresa até o final de 2021. Tive uma saída planejada, acontecendo aos poucos, para ir atrás da ideia de empreender e ter uma empresa para fabricar caixilhos. Essa ideia surgiu seis anos atrás mais ou menos, de uma forma despretensiosa. Em uma conversa alguém me disse que eu tinha um perfil mais de quem faz a coisa acontecer, do que alguém que faz projetos.

Então eu comecei a amadurecer ideia, em determinado momento senti que tinha que mudar um pouquinho aquilo que eu estava fazendo profissionalmente. Tinha alguma coisa que me dizia que a consultoria não estava mais me satisfazendo profissionalmente. Aí eu comecei a trabalhar na ideia da empresa. Quando tirava férias eu alugava uma salinha num cowork, começava a estudar a viabilidade, conversei com muita gente. E essa empresa de consultoria me deu uma base, porque eu tive oportunidade de conhecer o mercado como um todo, desde construtoras e fornecedores. Até hoje eu consigo conversar com toda a cadeia de produção e instalação. A partir dessa base e dos estudos, percebi que ter uma empresa de esquadrias era algo viável. 

AdC: E como surgiu a parceria com a Aventura de Construir?

Meu objetivo era começar a empresa já com uma estratégia definida, um estudo financeiro, com análise de mercado. Queria começar de uma forma segura, então sempre foi claro que eu precisava do plano de negócio. Tenho um pouco de experiência por ter um MBA em Gestão Empresarial, o que me permitiu ter uma visão um pouquinho melhor, mas eu não tinha tempo e conhecimento para montar um plano de negócio. Então percebi que precisava buscar alguém para me ajudar nesse começo.

E aí surgiu a Aventura de Construir através de um sobrinho meu, o Rafael, que me indicou a ONG para realizar uma parceria. Conversei com a Silvia, fechamos um contrato e de lá para cá foi muito legal o trabalho com o Franklin. Nós trocamos muitas ideias durante esses meses. A AdC sabe muito bem como fazer o plano de negócio, e eu sei muito bem como montar uma empresa de caixilhos, então foi uma uma soma de conhecimentos. 

Nos reunimos toda sexta-feira e o trabalho foi acontecendo a quatro mãos. Agora que o plano de negócio ficou pronto eu estou bastante contente com o resultado. Vai ser muito útil nesse começo, ainda que sempre precise ser revisado ao longo do tempo. Precisa ser um documento vivo e servir como referência para a empresa. E precisa ter de tudo: estudo de mercado, logística, finanças, marketing, produção, equipamentos, estoque. E tem essa questão muito importante que eu vou querer abraçar que é o ESG. Então é um documento que contempla todas as áreas da empresa, daquilo que você precisa estar atento para realizar a gestão da empresa de uma forma eficiente, segura e correta.

AdC: Durante o projeto, quais foram os maiores destaques e desafios enfrentados?

Eu acho que toda essa parte de estruturação é desafiante. O plano de negócio tem um passo a passo a ser seguido que parece uma coisa simples, mas não é bem assim. Ele começa um tanto genérico, para qualquer um, mas vai se moldando em função de cada segmento e de cada empresa. 

Também destaco o estudo de mercado, as pesquisas que o Franklin fez na área como um todo. Ele se envolveu muito com esse projeto, pesquisou sistemas de software para o segmento, algo bem específico. Então acho que esse envolvimento da Aventura de Construir, ainda que inusitado em relação à área, foi muito profundo. E nessa parceria surgiu uma sinergia muito grande, que é importante para dar uma fluidez melhor no processo. Tudo aconteceu de uma forma muito natural e a gente se complementava. Foi essencial o envolvimento do Franklin, da Raquel e de todos que colaboraram.

AdC: Em que estágio está o negócio e quais são os próximos passos?

Qualquer empreendedor, quando tá começando um negócio pela primeira vez na vida, acha que tudo vai ocorrer na ordem planejada. Tudo faz parte de um sonho, uma ideia que vai se formando mentalmente, você vai colocando cada pecinha ali e tudo se encaixa perfeitamente. Mas a realidade não é assim. Eu imaginava ter o plano de negócio montado, tudo perfeito e ajustado, para então tudo acontecer, mas eu tive que caminhar várias coisas em paralelo. 

Enquanto eu estava desenvolvendo o plano de negócio, junto com a Aventura de Construir, eu também já tinha que aproveitar o timing do mercado da construção civil, que vive um bom momento no Brasil. Então quando eu ia me desligando da empresa que eu trabalhava,  já estava começando a fazer contatos, conversando com as construtoras e pedindo a oportunidade de participar de um processo de concorrência. Até para ver como é apresentar uma proposta.

Hoje já temos dois contratos fechados, já contratados. Eu estou começando a formar a equipe, conversando com as pessoas, o galpão está praticamente alugado, já comprei alguns equipamentos. Então acredito que em janeiro a estrutura já vai estar montada e vamos começar a produzir as esquadrias.

O sonho está quase se tornando realidade. Não exatamente da forma que se sonhou, mas a realidade é gostosa de viver. É uma mistura de sentimentos: de alegria, porque você tá conseguindo conquistar o negócio; um pouco de preocupação, porque surgem muitas incertezas; e muita responsabilidade. 

Vinicius Dutra