Aventure-se II – Bastidores de uma campanha visual no metrô

Desde junho deste ano, diversos rostos conhecidos pela Aventura de Construir estampam cartazes expostos nas linhas amarela e lilás do metrô de São Paulo. Trata-se da campanha Aventure-se II, realizada em parceria com a ViaQuatro e ViaMobilidade

Por meio de 10 cartazes diferentes, espalhados por 26 estações, evidenciamos os desafios enfrentados por empreendedores da periferia, que foram identificados por meio de pesquisa que realizamos em parceria com a Catálise Social. E como resposta a esses desafios, apresentamos exemplos positivos de protagonistas atendidos pela AdC e seus negócios. 

Todos esses cartazes só “ganharam vida”, por meio do trabalho da ON Comunicação, que realizou a impressão, instalação e faz a manutenção das mídias físicas nas estações. Sempre mostrando uma sensibilidade para causas sociais, Marco Antônio Ortega comanda a empresa desde 2000. Conversamos com ele para entender um pouco mais dos bastidores da campanha.

Leia mais abaixo!

Conta um pouco para nós sobre você e sobre a ON Comunicação…

“Meu nome é Marco Antônio Nóbrega Ortega, mas desde 1989 todo mundo me chama de Ortega. Eu comecei adesivando, ou seja, aplicando esse tipo de mídia impressa. Um vizinho meu, chamado José Oliveira Sobrinho, foi dono de uma das maiores agências de publicidade aeroportuária. Em toda a publicidade que tinha em aeroportos na década de 80 ele trabalhou. Então quando eu tinha 17 ou 18 anos, ele me convidou para colar adesivos nos aeroportos. Foi a primeira vez que eu conheci um adesivo de publicidade, que aplicava nos carrinhos de carregamento. Eu comecei fazendo em Guarulhos e Congonhas, depois fui para o Rio, interior de São Paulo e aí já fiz toda a adesivação de Manaus a Porto Alegre, dos principais aeroportos do país. 

O tempo passou. Comecei a trabalhar numa empresa e a fazer toda comunicação visual dentro de um aeroporto: livraria, cafés, joalheria. E assim me tornei especialista em comunicação visual no segmento de aeroportos. Em 2000, montei minha empresa e tenho ela até hoje. No dia 9 de junho, nós completamos 22 anos. O tempo passou muito rápido.

De 2009 para cá, a gente parou com a publicidade aeroportuária. Começamos então a atender o metrô, especificamente as linhas que têm a concessão da CCR. Também atendemos as três rodoviárias: Jabaquara, Tietê e Barra Funda, e alguns shoppings, esporadicamente. Mas o nosso carro-chefe, hoje, são as estações do metrô. As linhas 4-amarela, 5-lilás, 8-diamante e a 9-esmeralda.

Sobre as artes que instalamos, 99% dos nossos trabalhos vêm de agências de publicidade. Eles sonham e a gente realiza o sonho deles. Eles criam e a gente faz a impressão, seja no cartaz ou no adesivo, e faz a instalação, manutenção e retirada quando termina a campanha.

Além disso, também adesivamos viaturas da Polícia Militar, Civil e da Guarda Municipal. Mas isso é um trabalho social. A gente não cobra para adesivar as viaturas que vêm aqui quase todos os dias.”

Como é o trabalho de manutenção das peças e o cuidado para que mantenham a qualidade?

“Lá no início em 2009, quando a CCR fez a homologação, eles queriam alguma mídia que tivessem um tipo de antivandalismo. Se você reparar nos aeroportos, shoppings e rodoviárias, eles não tem uma proteção de laminação. Mas normalmente onde tem alto fluxo de pessoas, sempre existe um índice de pequenos vandalismos. O pessoal faz um rostinho, uma carinha, uma pichação. 

No nosso caso, a gente conseguiu eliminar 99% do vandalismo. Hoje, nos cartazes, a gente usa a impressão no papel e o laminamos, fazemos tipo uma plastificação nele. Sem isso, se o pessoal de limpeza do próprio metrô passar um paninho, um abrasivo, vai manchar o cartaz. Já com o sistema que a gente usa, o cara tá pichando em cima da laminação, aí pode tirar com um pano e água, na maioria das vezes. Isso fez com que o índice de vandalismo dessas pichações na linha da CCR chegasse a quase zero. 

Por isso, a nossa manutenção é só quando não se consegue limpar, aí fazemos a substituição. Mas a vistoria é feita praticamente diariamente, ou um dia sim e um dia não.”

E quais são os tipos de campanha realizadas por vocês?

“Falando da CCR, tem a publicidade privada, que é o carro-chefe deles, que tem mais anunciantes. São grandes companhias, como seguradoras, bancos, automóveis e lançamento de filmes. Tem  também a publicidade institucional da própria ViaMobilidade e ViaQuatro, que são campanhas de conscientização como ‘não corra’, ‘segure no corrimão’, ‘deixe a esquerda livre’ etc. São essas campanhas institucionais para reforçar a própria comunicação interna da operadora. 

E tem essas outras campanhas que são da área social, como campanha do câncer, da AACD, da GRAACC. Instalamos recentemente uma campanha da ONU contra violência à mulher, e também a campanha da Aventura de Construir.”

Fale mais sobre a campanha Aventure-se. Como é o processo de impressão dela?

“Os cartazes da Aventura de Construir foram produzidos com uma tecnologia que temos aqui de última geração. Nós temos uma plotter de impressão da Canon que tem um apelo ecológico muito bacana. A tinta, chamada UVgel, não agride o meio ambiente, é uma tinta ecologicamente correta por não ser solvente. Trata-se de uma tinta à base de água com secagem UV, tecnologia que só a Canon tem hoje no mundo. 

Com isso tivemos um ganho de qualidade, com uma diferença brutal da tecnologia que tínhamos anteriormente. Então a gente imprime com um apelo ecológico, em um papel ecologicamente correto e depois realizamos um descarte apropriado.” 

A ON Comunicação também realizou a impressão e instalação do projeto Aventure-se, realizado em 2021. Desde então, Ortega e sua equipe demonstram prestatividade com a causa social da Aventura de Construir. Por isso, perguntamos sobre a relação da empresa com campanhas sociais.

“Sabemos separar muito bem aqui o que é campanha privada – uma campanha de marketing e publicidade que tem bastante dinheiro – e campanhas sociais, nas quais se você não estiver empenhado em ajudar, muitas vezes não acontecem por falta de verba. Então sabendo que é uma campanha social, tentamos fazer de tudo para que dê certo. A gente tem bons olhos para esse lado social.

Temos esse tipo de comportamento porque eu aprendi isso. Tive a sorte de trabalhar com outros empresários, quando eu era funcionário, e eles tinham essa visão de ajudar e valorizar as pessoas e os trabalhos sociais.”

E sobre o trabalho da AdC, de acompanhamento aos empreendedores da periferia, o que você acha?

“É uma oportunidade para pequenos e médios empresários, para fazer com que tenham novos profissionais por aí. Tem muita gente de talento que não têm oportunidade. Como o programa The Voice, em que muitos só são descobertos por ganhar uma oportunidade, um empreendedor pode ter talento mas não conseguir se destacar se não tiver uma ajuda. A maioria das pessoas que querem oportunidade não desperdiçam, acabam deslanchando quando recebem. Tem vários casos de sucesso por aí. Acho esse trabalho muito importante e muito bacana para todo mundo, para o país, para a sociedade e para o futuro. 

Eu vejo com bons olhos esse trabalho e vou reparar na campanha quando passar nas estações. Por fim, fico feliz por vocês quererem escutar a gente, é a primeira vez que damos uma entrevista assim, e ainda sobre um trabalho tão maravilhoso como o de vocês.”

Maria Marcelino