Esforço, Disciplina, Amor – Precisa de tudo para dar certo

As Olimpíadas foram uma bela festa, e isso não era garantido, mas era esperado. O que nos surpreendeu é o sucesso e a atenção que obtiveram as Paraolimpíadas.
Claro, ver 4 (quatros!) atletas paraolímpicos correr os 1500 metros com tempos que iam ganhar o ouro na prova das Olimpíadas no mês anterior é uma noticia que deixa de boca aberta. Os dois milhões de ingressos vendidos, que fazem de Rio 2016 a segunda maior edição das Paraolimpíadas, também marcam. Mas o que nos mexe no íntimo são os exemplos de superação dos atletas.

Ir além dos limites… mas o que são os limites?

Cada esporte requer esforço, e esforço continuado. Precisa de dedicação, de garra, de planejamento e disciplina, de ir além do que é fácil e óbvio e dos nossos limites.
Ver isso em pessoas com alguma deficiência no que para nós é fácil se impõe aos nossos olhos, nos faz parar e comparar-nos com eles. O que percebemos como barreiras são mesmo barreiras? Ou é o nome que damos às nossas desculpas? O que nos impede, afinal, de ir atrás do que gostamos?

Aquela dos Paraolímpicos é uma situação que testa as pessoas no limite, chegando até a cogitar eutanásia. Normalmente as nossas dificuldades na empresa são bem menores, mas também para nós é vital aprender como enfrentá-las.

A vida é bonita

Nesse sentido, fiquei marcada por um atleta, Zanardi, ex-piloto de F1 e Fórmula Indy, que teve as duas pernas decepadas, ficou 15 minutos sem sangue e teve que ser revitalizado 7 vezes. Voltou a correr em automóveis, se dedicou ao ciclismo e faturou 4 medalhas paraolímpicas em Londres. Falando da sua deficiência, ele afirmou: “Antes eu me perguntava o que faria se algo assim acontecesse. A resposta que eu me dava era que eu ia me matar. Mas, quando aconteceu comigo, isso não veio à minha cabeça. Estava feliz de estar vivo.”
E, depois de ganhar o ouro no Rio, ele falou: “É simplesmente fantástico. Eu só tenho que agradecer. Eu sinto que sou um cara de muita sorte”.
Isso me fez pensar quanto é verdade que no fundo “a vida é bonita”, e por isso vale a pena enfrentá-la.

Não precisa ser super-homens

Ou, mais ainda, Mônica Santos, esgrimista brasileira. Aceitou de virar paraplégica porque – grávida – a cura para evitar as complicações da gravidez iria matar o feto. “Não foi uma questão religiosa. Foi uma questão humana… No momento eu nem pensava em ser contra aborto ou a favor. O fato é que eu queria ter um bebê, ali era uma vida, e eu não queria tirar aquela vida”.
Podemos achar as energias para todos os sacrifícios, a dedicação, os esforços que a vida nos pede não na nossa força, mas no que amamos.

Silvia Caironi

Adriano