A construção conjunta do projeto “ProtagonizAqui”

O projeto “ProtagonizAqui”, realizado pela Aventura de Contruir (AdC) em parceria com a Missão Paz, Casa Venezuelana e IAF (Inter – American Foundation), tem como público migrantes, que morem há pelo menos um ano na cidade de São Paulo, para que eles possam ser inseridos de maneira digna na sociedade brasileira, visando sua inclusão produtiva e emancipação e fortalecendo o protagonismo dessas pessoas. Pode conhecer mais do projeto e dos participantes aqui.

Segundo o Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), no Brasil, em 2019, existiam mais de 1 milhão de imigrantes e apenas 147,7 mil possuíam carteira de trabalho assinada. Para que a trajetória de alguns deles cruzasse com a realização do projeto, viu-se necessário a parceria entre as instituições que promovem o primeiro acolhimento a esses grupos de pessoas que chegam ao Brasil e os direcionam para uma estabilidade, como a Missão Paz.

A partir dessa parceria, realizamos uma entrevista com o Padre Paolo Parise, coordenador da Missão Paz e diretor do Centro de Estudos Migratórios, para aprofundar sobre a realização e importância do projeto.

Confira abaixo!

AdC: O que faz a Missão Paz?

Padre Paolo Parise: É um centro integrado, onde oferecemos uma casa de acolhida para aqueles que chegam na cidade de São Paulo e depois temos uma série de serviços para os que estão na casa ou possuem outra moradia. Como apoio na regulamentação da documentação, temos também assistentes sociais para que eles os auxiliem a correr atrás de seus direitos, depois temos a parte de saúde, cursos, aulas de português e além de tudo isso, tem espaço para as coletividades se encontrarem e realizarem eventos das suas culturas de origem.

AdC: Qual é o papel da Instituição no projeto? 

Padre Paolo Parise: Colocar em contato com o público destinado ao projeto para realizar a mediação com aqueles que estão interessados. A proposta foi se ajustando com conversas para oferecer essas capacitações, onde não é somente um curso técnico, mas um curso que está preocupado com a formação humana das pessoas que participam. O diálogo foi importante para definir o público, que inicialmente era apenas de venezuelanos. Também acho interessante que o projeto realiza a identificação daqueles que estão mais voltados para a área do empreendedorismo ou para o mercado de trabalho.

AdC: Qual é a importância de projetos como esse para a integração dos imigrantes no Brasil?

Padre Paolo Parise: Quando o imigrante chega a uma nova realidade enfrenta uma série de desafios, um é o documental, outro é aprender o idioma e a cultura e o terceiro é a inserção laboral. Então o trabalho é uma das principais preocupações e a proposta da Aventura de Construir vai ao encontro disso, tentar encontrar potenciais formas para responder a necessidade de encontrar um trabalho.

AdC: O que você vê como evolução durante esses anos com a Jornada do Imigrante?

Padre Paolo Parise: O que mais se pode ver resulta, é no estudo da ACNUR (Agência da ONU para Refugiados), que todos os anos apresenta uma análise sobre tendências globais na migração. 

AdC: O que devemos levar em conta com relação a essas pessoas, principalmente, para nós que trabalhamos neste projeto?

Padre Paolo Parise: Não generalizar quando se fala de imigrantes, prestar atenção em cada um e lembrar que cada um tem sua construção social, são pessoas. 

AdC: Serve celebrar as datas comemorativas em relação a essas jornadas?

Padre Paolo Parise: Tem sentido se tem um processo de atuação, se não, vira apenas uma data no calendário. As datas servem para celebrar e conectar aquelas pessoas e instituições que já estão fazendo algo ou então um alerta para aquelas que ainda não fazem nada.

AdC: No seu trabalho você aprendeu mais a tratar com essas pessoas nas experiências pessoais ou com pesquisas e dados apresentados?

Padre Paolo Parise: Nas experiências pessoais, atuando do micro para o macro. Como primeira atenção precisa ouvir e olhar para a pessoa, entender que carrega suas necessidades e a partir disso realizar o trabalho.

O projeto, que iniciou em maio, tem duração até março de 2023 e ainda está aceitando participantes.

Andamos juntos para construir o protagonismo inclusivo também com estes novos “brasileiros”, que compartilham suas vidas conosco!



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Maria Marcelino