Comunicar é estreitar laços

“Comunicação” vem do latim cum=com e munir= amarrar, construir, ou seja, comunicar é estreitar laços.

Fazemos isso usando palavras para expressar conceitos, e aqui deve começar o cuidado para quem quer comunicar de jeito eficaz. Os conceitos na nossa mente derivam da experiência sensível por abstração, o que implica uma enorme simplificação: detalhes concretos são deixados ambíguos, vagos ou indefinidos (podemos falar sobre negócios sem precisar definir cada vez se estão na periferia ou se são geridos por mulheres …). Nem passando as palavras precisamos detalhar: comunicamos confiando em uma intuição ou experiência comum entre nos e quem recebe. Essa experiência comum é o que chamamos de “contexto”. Quando falamos com um amigo podemos entender se ele está entendendo e – se não – dar mais informações de contexto, na comunicação indireta – como no caso desse post – devemos nos esforçar para que o leitor tenha o contexto adequado para entender a nossa mensagem.

Todos comunicam, todos deveriam comunicar bem

Mas porque esta introdução? Se no passado comunicação era assunto de jornalistas ou publicitários, agora virou fundamental para cada um. Até uma pequena instituição do terceiro setor como Aventura de Construir, com recursos humanos e materiais escassos, precisa ter uma área de comunicação, e as notas acima ajudam a entender que não é imediato como parece. A instituição deve ter claro que se trata de uma grande tarefa e que é preciso uma estratégia e objetivos definidos desde o começo.

Algumas dicas para ONG que querem começar

Para quem estiver iniciando, aqui vão algumas dicas:

  1. sempre se comunica si mesmo: é engraçado como qualquer trabalho de comunicação – um processo de construção, amarração e de compartilhamento com os outros – implica antes de tudo a volta às próprias origens. No final, sempre se comunica si mesmo, e nenhuma comunicação institucional pode vir sem redescobrir os fundamentos da entidade. “Sem a base, esqueçam as alturas”, li uma vez. Uma frase que podemos levar como lema sempre que queremos construir algo maior. Acredito que o trabalho de comunicação seja sempre uma ida e volta continua entre tradição e inovação. Temos que aprender com as novas tecnologias sem perder as raízes. De fato, fazer uma síntese das duas.
  2. Conheça o seu alvo: para que as mensagens “funcionem” é preciso acertar o tipo de público, de linguagem e de veículo. Primeiras perguntas a se fazer: Qual é o perfil do nosso público? Onde está? Que tipo de veículo acessa? De que tipo de conteúdo gosta? Lembre-se que o contexto é a sua realidade e você precisa antes de tudo entendê-la. A partir das respostas, você vai decidir a arquitetura da sua comunicação. Não vai ter comunicação eficaz sem um estudo aprofundado, tanto do seu contexto, quanto das ferramentas mais adequadas para responder a ele. Isso pode levar meses e é um trabalho continuo. Por isso, não sossegue e mantenha vivo o desejo de conhecimento. Como diz o nosso amigo, além de profissional e consultor de destaque, Carlos Ferreirinha: “Se atente aos sinais da realidade”.
  3. Conheça o seu inimigo: parafraseando Sun Tzu, general e estrategista chinês famoso pela sua “Arte da guerra”, eu diria hoje “Conheça o seu inimigo”. No setor de comunicação, o Benchmarking (processo de avaliação da instituição em relação à concorrência, por meio do qual incorpora os melhores desempenhos de outras entidades e/ou aperfeiçoa os seus próprios métodos) é uma ótima estratégia para melhorar o desempenho da sua comunicação.
  4. Faça networking: “ninguém faz nada sozinho e é preciso dar-se a mão”, citando novamente o guru Ferreirinha. Por isso, invista na sua rede de contatos, apresente um trabalho bem feito, mostre sua sede de aprender, seja humilde, aproveite o máximo para aprender com eles, troque conhecimentos e favores e monte parcerias.
  5. Nas redes sociais fale, mas também escute: trate o seu público como se fossem os seus amigos, use ironia, mostre interesse e faça perguntas. Apesar de estar atrás de uma tela, todo mundo gosta de atenção e de um carinho especial e ninguém aguenta aquele amigo chato que só fica falando de si mesmo e se vangloriando. Aprenda que a empatia faz milagres.
  6. Melhor rápido que ótimo: acompanhe a velocidade das redes sociais, aliás, seja mais rápido do que os outros em postar, registrar os momentos mais legais da sua instituição ou usar a última hashtag.
  7. Não perca o gosto da reflexão: seja sozinho ou em equipe, estabelecendo reuniões trimestrais e discussões de textos.
  8. Um último conselho: preserve a mágica dos encontros com pessoas “reais”. Todos temos sede de vida e experiências concretas. Isso torna qualquer comunicação mais próxima para quem lê.

Silvia Caironi

Adriano