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Só com raízes profundas é possível entender, aprender e deixar uma marca positiva. Desde o começo, Aventura de Construir decidiu dedicar-se estrategicamente aos microempreendedores das áreas edificadas pela Associação dos Trabalhadores Sem Terra (ATST), onde se encontra um índice de empreendedorismo de aproximadamente o dobro da média nacional. A pesquisa realizada ao longo do 2012 evidenciou como os microempreendedores dessas áreas possuíam um perfil representativo da “nova classe média”: um setor fundamental para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Sempre de acordo com a pesquisa, a renda média mensal por trabalhador superava de pouco os R$ 2000, ou seja levemente acima de 3 salários mínimos (ano 2012). A maioria dos microempreendedores encontrava-se nas faixas salariais entre 2 e 5 salários mínimos: de acordo com o IBGE, isso representava o 42.7% da população acima dos 15 anos no Sul do País e o 34.4% a nível nacional (ref. Tabela 7.1.1). Eis a “Média classe média”,  a camada social que, nessa década, mais cresceu numericamente e rapidamente, apresentando por essa razão elementos de vulnerabilidade e fragilidade devidos ao crescimento repentino do padrão de vida. As consequências de um eventual recesso, ligadas às recentes melhorias econômicas, podem ser amargas tanto a nível individual quanto social.

Essa situação de instabilidade foi percebível também por outros indicadores: praticamente a totalidade do público alvo da pesquisa morava em casa e o 77% em casa de propriedade: isso graças ao trabalho da ATST que auxilia justamente na compra de terrenos em prol da construção de moradias. O 75% das habitações possuía agua corrente, energia elétrica e telefone fixo, o 97% dos empreendedores estavam dotados de celular e o 81% de uma conta bancária (embora nessas áreas não exista até agora nenhuma agência, nem caixas 24 Horas).

Por outro lado, o 50% dos empreendimentos não estava formalizado e o 43% gerava um lucro abaixo do 30% do faturamento; quanto aos empreendedores, o 62% não disponha de seguro de saúde, o 55% não tinha terminado o ensino médio e um quarto não sabia informar o lucro ou receita mensal. Além disso, para quase o 20% deles a renda mensal atestava-se abaixo de um salario mínimo.

Sendo o nosso público alvo composto por empreendedores, ele pode ser representativo tanto do ponto de vista demográfico quanto econômico.

O empreendedorismo no Brasil é, de fato, um fenômeno de massa: criado como figura jurídica em 2009, o Micro Empreendedor Individual alcançou em apenas 6 anos a marca de 5 milhões de MEI abertos e prevê-se chegar a mais que 8 milhoes no 2022, segundo uma pesquisa do SEBRAE do Novembro 2015. Só no Estado de São Paulo são abertas cerca de 150 mil empresas por ano e 99% delas são micro, representando 48% dos empregos e 36% da folha salarial.
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Além de ser importantes numericamente, as microempresas são fundamentais para um contexto econômico e social saudável e dinâmico, onde as pessoas são protagonistas: 37% dos empreendedores relata que a razão fundamental de ter aberto uma microempresa é o desejo de ter um próprio negócio, contra só o 11% que começou para aumentar a renda. Em São Paulo, quase metade dos microempreendedores são mulheres, e um terço da totalidade de pessoas com deficiência trabalha ou cria a própria empresa individual. Da último, o 53% dos empreendimentos individuais são tocados na própria habitação, contribuindo com a vitalidade das periferias e aliviando o transito nas grandes cidades.
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Ao mesmo tempo, os microempreendedores enfrentam várias dificuldades: 20% das empresas não chega ao segundo aniversário. O que falta muitas vezes é instrução básica (16% dos empreendedores não completou Ensino Fundamental e o 38% Ensino Médio), quase sempre planejamento (o 38% começou sem ter noção do tamanho da concorrência) e muitas vezes falta de realismo e atitude (o 57% pensava ia ter mais tempo para família e amigos uma vez montada empresa própria). Acesso ao sistema bancário também é limitado: só o 16% dos microempreendedores obteve empréstimos, a grande maioria em bancos públicos e só o 2% através de microcrédito ou cooperativas de credito.

 

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Nessa realidade, a abordagem da Associação Aventura de Construir já mostrou alcançar melhorias significativas quanto o desempenho das microempresas. Aprofundar entre os empreendedores a consciência das próprias responsabilidades, ajudar a enxergar todos os aspectos da própria dimensão, ampliar os conhecimentos técnicos e administrativos, despertar a criatividade para criar um diferencial: tudo isso gera impactos significativos. Transforma-se concretamente em aumento de receitas e funcionários, por exemplo.

Dada a representatividade do nosso público alvo, entendemos que a nossa metodologia possa alcançar resultados em outras regiões e contextos nacionais, contribuindo positivamente no grande esforço e engajamento atual da população brasileira.

Se você também pensa da mesma forma e conhece setores precisando da nossa intervenção, unamos os esforços para respondermos juntos a estas necessidades!