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FLOCOS E AVALANCHES
Um floco de neve é leve, fresco, agradável. No Brasil, às vezes podemos ver alguns flocos de neve no sul do país. O que não vemos nunca por aqui são avalanches. Pelo menos, não aquelas de neve. Daquelas que começam com uma pequena bola de neve que vai rolando e ficando cada vez maior até virar uma avalanche, carregando tudo o que encontra pela frente e da qual não é possível escapar.

SOMOS TODOS ENDIVIDADOS
O que ouvimos bastante no Brasil é que as dívidas frequentemente viram bolas de neve. A analogia é perfeita porque uma pequena dívida, se não for paga, acumula juros, que leva a mais dívida, que acumula mais juros e de repente a situação já saiu do controle. No Brasil, 60% das famílias estão endividadas, sendo um terço já com restrição no nome. A razão principal é simples: os juros para o consumidor aqui são, em média, de 58% por ano. Nos EUA chegam, no máximo, a 22% (para os cartões de créditos) e na Europa fica abaixo de 6% ao ano em alguns países.

Até o Banco Central brasileiro entende que os juros são muito altos e ao longo de 18 meses, reduziu a taxa SELIC de 13% para 6,5%. Como pode ser observado no gráfico abaixo, a redução do custo do dinheiro para os bancos NÃO passou para os consumidores. Em vários países juros altos assim seriam considerados usurários e ilegais.


NOVAS LEIS PARA A TUTELA DO CONSUMIDOR
Estão surgindo várias mudanças para ajudar o consumidor a não cair na bola de neve da dívida. Por exemplo, não é mais permitida a rolagem automática para cartões rotativos e cheque especial. E agora é permitido diferenciar os preços entre pagamento à vista e parcelado, o que incentiva a quitação imediata para evitar o endividamento. A situação está melhorando, mas estar melhor não significa que esteja bom.

Em nosso trabalho com os microempreendedores de baixa renda, frequentemente identificamos falta de conhecimento sobre finanças e altos índices de endividamento. Neste cenário, nosso papel é auxiliar cada um a identificar os problemas e orientá-los no uso de ferramentas que permitam enfrentar essas dificuldades.

CONTROLE O SEUS GASTOS E SUAS RECEITAS
O jeito mais simples para não ser sufocado pelas dívidas é não fazê-las. Isso implica em controlar os próprios gastos e receitas. É preciso ser sistemático e persistir, mas hoje também existem muitas ferramentas que facilitam bastante o trabalho: podem ser app como o SmartMEI, planilhas de Excel e até cadernos especiais com pequenos truques psicológicos para ajudar no equilíbrio financeiro.

Outra iniciativa importante é dedicar uma cota fixa das receitas para emergências. Não sabemos quando e quais serão, mas sabemos que elas vão surgir. Pode ser um conserto do carro, uma doença ou até a perda do emprego.  Mas se criar uma dívida for inevitável, é fundamental entrar de olhos bem abertos. Quanto mais fácil for obter dinheiro emprestado, piores serão as condições. O grande vilão aqui é o cheque especial, que deve ser evitado de qualquer jeito. Se você é MEI, procure pelas possibilidades de microcrédito produtivamente orientado, como o tradicional Banco do Povo Paulista ou plataformas inovadoras como FIRGUN. São dois dos pouquíssimos exemplos onde pode ser vantajoso pegar empréstimos. Na plataforma da FIRGUN por exemplo, é possível obter empréstimos de até R$ 3.000,00 sem juros.

SE ENTRAR NA BOLA DE NEVE, FIQUE CALMO E RENEGOCIE
Se enrolados com dívidas, evidentemente algo não deu certo. Siga estes procedimentos para sair do problema:

Primeiro passo: admitir que existe o problema. Claro que não é fácil: envolve vergonha, sentimento de não ter feito o próprio dever, medo do futuro, etc.

Segundo passo: buscar apoio, seja um conselho especialista ou até suporte psicológico, nem que seja só para poder falar com alguém.

Terceiro passo: entender exatamente o tamanho do problema e os detalhes. Fazer a lista de todas as dívidas, ver os juros aplicados, elencar gastos e receitas para entender quanto se pode usar cada mês para pagar as dívidas. É possível verificar quantas dívidas estão no CPF em sites como Consumidor Positivo.

Quarto passo: livrar-se primeiros das dívidas com juros mais altos: quitá-las se forem pequenos, renegociá-las ou até transferi-las para outros credores. Desde 2013 os credores têm obrigação de transferir o crédito para outro instituto preferido pelo devedor. Algumas plataformas online como Acordo Certo simplificam muito o processo de renegociação de dívidas, podendo chegar a descontos de até 90% do valor, parcelado em 36 vezes.

Tomar consciência do problema, do seu tamanho e fazer um plano para sair, já reduzirá grande parte do estresse pessoal e familiar. Depois, é só executar, com paciência e garra.