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Desafios da educação em época de mudança

 

 

Para um jovem de 21 anos é difícil desenvolver um ideia sobre a complexidade da educação no Brasil. Porém, o exercício de imersão em diferentes realidades sociais pode gerar concepções para uma sociedade igualitária e contribuir com o debate. Atualmente, a rotina de conviver durante o dia com microempreendedores de baixa renda, aos quais nunca lhes foi oferecido (a maioria deles) um acesso à educação formal ou bem estar social, e de noite, estudar em uma das faculdades mais elitizadas do país, a consequência é uma revolução profunda na consciência.

Em 2015, realizei um estágio em uma empresa de tecnologia, próxima a Faria Lima, um dos principais centros econômicos da América Latina. Este período foi importante para entender o funcionamento da economia e o modelo organizacional das empresas.

Era um choque ver como a maioria das pessoas, em certa escala, entraram em um processo de padronização da vida, as roupas, os assuntos e os bens de consumo. É necessário a criação de um mundo paralelo para manter a estrutura de economia e do trabalho. É nítida a diferença entre os cargos, daqueles que tiveram acesso a uma educação superior de renome, e dos que não tiveram oportunidades.

Neste período cheguei a conclusão de que grande parte da população nunca teve contato com o desenvolvimento intelectual ou criativo. O contraditório é que as pessoas que tiveram acesso a educação estão distantes de suas raízes, e isso gera a aceitação do individualismo. E ao mesmo tempo, as pessoas que exercem os empregos de baixa valorização, são aqueles que possuem o espírito colaborativo para a sobrevivência. É preciso entender que as principais inovações sociais do mundo, aquelas que guiam as sociedades, surgiram da liberdade de pensamento, ou do contato com a consciência.

No Brasil, a contradição social é forte. O fato de existir apenas um território e a construção de diferentes realidades no mesmo espaço, o resultado é a expressão dos principais preconceitos presentes no dia-a-dia. Esta dinâmica acaba distanciando as pessoas do bem comum. É necessário entender que a humanidade é uma só, e o bem estar social deve ser universal.

O complexo desta história é ver como os espaços que deveriam ser dedicados para o desenvolvimento intelectual e criativo, por exemplo, as universidades, não atendem a esse objetivo. Além de poucos jovens terem acesso a estes meios, a maioria que possui, não desenvolve o desejo de ter contato com uma outra realidade. Com isso, podemos chegar a duas conclusões: Vivemos o colapso do sistema educacional e a educação mais valiosa surge da verdadeira interação humana.

Precisamos romper com os muros e valorizar as pessoas. Não subestimá-las. A educação, atualmente, é utilizada para interesses individuais e não coletivos. O debate central é se devemos pensar em um projeto onde todos os jovens, com diferentes realidades, tenham o espaço para exercer a criatividade e interagir, ou se continuamos em um mundo de espetáculos e imagens que só reproduz o que é imposto. Os pensamentos só serão libertos através da verdadeira interação humana.

Rafael Fonseca