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10 anos atrás o iPhone mudou o mundo

“De vez em quando chega um produto revolucionário que muda tudo”. Steve Jobs tinha razão. Assim apresentava o iPhone: “Um iPod. Um telefone. E um comunicador internet.”, juntando três conceitos com uma das regras básicas da criatividade. Em junho de dez anos atrás o iPhone começou a ser vendido: mudou a telefonia, e a inteira economia mudou. Sem iPhone não teríamos Waze; sem Waze não existiria Uber. Uma onda de inovação nos levou onde não poderíamos imaginar.

A inovação é um jogo difícil, e precisa de condições para se desenvolver: educação, disponibilidade de capitais, mercados abertos e competitivos, redes de competências…
O Estado tem uma responsabilidade grande em criar essas premissas e, o Brasil, como muitos outros países, deixa a desejar nisso. Um exemplo só: os impostos de importação sobre os produtos eletrônicos. Um iPhone 7 custa nos EUA 2.100 R$, aqui 3.500. Esse maior custo significa difusão menor, criação de massa crítica mais lenta, oportunidade de mercado que se desenvolvem mais devagar. E a distancia com os lideres cresce. Para os micro-empreendedores se acrescentam outras barreiras: muitas vezes não tem as competências não só para atuar na nova realidade, mas até para enxergar o que vai chegar daqui a pouco.

Mas não dependemos completamente das circumstâncias. Enquanto destrói, a inovação cria novas oportunidades, e o mesmo Steve Jobs nós mostrou como desfrutá-la.
Ele, Drucker (o pai da ciência da gestão de empresas) e Hewlett e Packard – com os “dez mandamentos da garagem” – sempre insistiram em dois fatores: foco no cliente, com criatividade.

Se você quer sucesso, não pense no sucesso mas pense em como ser útil

Foco no cliente: desde a redefinição quase total do iPhone poucos meses antes do lançamento, ao cuidado maníaco das caixas dos produtos, até a comunicação. O iPod não era “um leitor de MP3 com 5 GB de memória”, era “mil canções no seu bolso”.
E criatividade. O “campo de distorção da realidade” que Jobs criava virou mito. Convencia os seus engenheiros que era possível o que eles – os maiores especialistas do setor – achavam impossível. E assim conseguiam. Não era manipulação, era a consciência do poder criativo que todos nós temos, e um desafio para as mentes que se fechavam antes de explorar todas as possibilidades.
Foco no cliente e criatividade: nessa encruzilhada há inovação, para empresas de qualquer tamanho.

O jogo ainda não acabou

Dez anos atrás não imaginaríamos o tamanho da mudança que aquele pequeno objeto trouxe nas nossas vidas. Agora parece impossível viver sem ele.
Mas a inovação não tem fim. Já se enxergam sinais da próxima era: ao invés de termos mil apps baixadas no telefone, iremos nos comunicar com os vários serviços só nos bate-papo, como já fazem os chineses em WeChat. Ou iremos deixar o telefone de lado e interagiremos com o mundo digital falando com assistentes invisíveis – embora presentes – como o “Amazon Echo”.
Novos cenários, novas mudanças, novas oportunidades…
No final, Steve Jobs não era muito diferente dos micro-empreendedores das nossas periferias: dois jovens sem muito dinheiro, em uma garagem. Estava no Vale do Silício e não em Pirituba, e isso faz diferença, mas não tanta da impedir a aventura de criar algo novo e melhor cada dia.

Silvia Caironi